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"É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer, porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo". Clarice Lispector

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maio 25, 2014

Maria Submissa - The cave


A solidão da escrava incomoda, dói fundo, tanto pela falta de ser possuída quanto pela saudade de um tempo perdido.
Ela se esconde, se cala, chora sozinha pelos cantos, retraída em abandono, sem conseguir vislumbrar um tempo de novo desabrochar.
Angustiada, a escrava se isola, dorme sonos longos, sonha sonhos confusos, geme os gemidos de cadela sem Dono, se arrastando pelo chão em total desânimo.
As marcas da coleira ainda estão ali, em seu pescoço, em sua alma, em seu pensamento... Ela tem se esforçado, tem se lavado, esfregado com força, como se assim conseguisse tirá-las.
Passado esse tempo e distância, ela se anestesia com promessas fugazes, com efêmeras ilusões, com alegrias momentâneas de um novo pertencimento.
Mas o tempo é sombrio, longo, e ela gane, coração em desalinho, encolhida no chão... 

Maria Submissa

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