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"É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer, porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo". Clarice Lispector

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setembro 10, 2016

DESPEDIDA - Martha Medeiros


Existem duas dores de amor:
A primeira é quando a relação termina e a gente,
seguindo amando,
 tem que se acostumar com a ausência do outro,
com a sensação de perda, 
de rejeição e com a falta de perspectiva,
já que ainda estamos tão embrulhados na dor
que não conseguimos ver luz no fim do túnel.
A segunda dor é quando começamos a vislumbrar 
a luz no fim do túnel.


A mais dilacerante é a dor física da falta de beijos e abraços,
a dor de virar desimportante para o ser amado.
Mas, quando esta dor passa, 
começamos um outro ritual de despedida:
a dor de abandonar o amor que sentíamos.
A dor de esvaziar o coração, 
de remover a saudade, 
de ficar livre,
sem sentimento especial por aquela pessoa. 
Dói também…


Na verdade, 
ficamos apegados ao amor tanto quanto à pessoa que o gerou.
Muitas pessoas reclamam por não conseguir 
se desprender de alguém.
É que, sem se darem conta, não querem se desprender.
Aquele amor, mesmo não retribuído, tornou-se um souvenir,
lembrança de uma época bonita que foi vivida…
Passou a ser um bem de valor inestimável, 
é uma sensação à qual a gente se apega. 
Faz parte de nós.
Queremos, logicamente, 
voltar a ser alegres e disponíveis,
mas para isso é preciso abrir mão de algo que nos 
foi caro por muito tempo,
que de certa maneira entranhou-se na gente,
e que só com muito esforço é possível alforriar.


É uma dor mais amena, quase imperceptível.
Talvez, por isso, 
costuma durar mais do que a ‘dor-de-cotovelo’
propriamente dita. 
É uma dor que nos confunde.
Parece ser aquela mesma dor primeira, 
mas já é outra. 
A pessoa que nos deixou já não nos interessa mais, 
mas interessa o amor que sentíamos por ela,
 aquele amor que nos justificava como seres humanos,
que nos colocava dentro das estatísticas: 
“Eu amo, logo existo”.

Despedir-se de um amor é despedir-se de si mesmo.
É o arremate de uma história que terminou,
externamente, sem nossa concordância,
mas que precisa também sair de dentro da gente…
E só então a gente poderá amar, de novo.

Martha Medeiros


4 comentários:

  1. Olá querida, gostei do seu blog é de muito bom gosto!!
    e Amei demais este texto. Parece muito comigo em muitos aspectos..... quero saber se posso copiá-lo em meu blog? Diz muito sobre meus sentimentos agora...

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    Respostas
    1. Bom dia Adel!

      Seja bem vinda ao meu espaço,
      e tudo q está aqui é pra quem quiser entrar olhar e partilhar. Tudo q mexe com vc pode ser levado.

      Fique à vontade,
      O q é bonito e verdadeiro deve ser levado e partilhado...

      Bjo no seu coração

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  2. "A mais dilacerante é a dor física da falta de beijos e abraços,
    a dor de virar desimportante para o ser amado. " A parte que mais me tocou... puxa vida... obrigada pelo texto...

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    Respostas
    1. Ai como doí... Acho q todos nós já sentimos isso...

      Bjo

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