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"É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer, porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo". Clarice Lispector

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setembro 15, 2014

MANEIRA DE AMAR - Carlos Drummond de Andrade



O jardineiro conversava com as flores e elas se habituaram ao diálogo. 
Passava manhãs contando coisas a uma cravina ou escutando o que lhe confiava um gerânio. 
O girassol não ia muito com sua cara, ou porque não fosse homem bonito, ou porque os girassóis são orgulhosos de natureza.
Em vão o jardineiro tentava captar-lhe as graças, pois o girassol chegava a voltar-se contra a luz para não ver o rosto que lhe sorria. 
Era uma situação bastante embaraçosa, que as outras flores não comentavam. 
Nunca, entretanto, o jardineiro deixou de regar o pé de girassol e de renovar-lhe a terra, na devida ocasião.
O dono do jardim achou que seu empregado perdia muito tempo parado diante dos canteiros, aparentemente não fazendo coisa alguma. 
E mando-o embora,depois de assinar a carteira de trabalho.
Depois que o jardineiro saiu, as flores ficaram tristes e censuravam-se porque não tinham induzido o girassol a mudar de atitude. 
A mais triste de todas era o girassol, que não se conformava com a ausência do homem.


 VOCÊ O TRATAVA MAL, AGORA ESTÁ ARREPENDIDO?
NÃO, RESPODEU, 
ESTOU TRISTE PORQUE AGORA NÃO POSSO TRATÁ-LO MAL.
 É A MINHA MANEIRA DE AMAR, ELE SABIA DISSO, E GOSTAVA.




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