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"É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer, porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo". Clarice Lispector

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janeiro 25, 2013

NAMORO - por Arnaldo Jabor



"Na hora de cantar todo mundo enche o peito nas boates,
 nos bares, 
levanta os braços, 
sorri e dispara: 
 "eu sou de ninguém, 
eu sou de todo mundo e todo mundo é meu também".
 No entanto,
 passado o efeito do whisky com energético
e dos beijos descompromissados,
 os adeptos da geração "tribalista" se dirigem aos consultórios terapêuticos,
 ou alugam os ouvidos do amigo mais próximo
 e reclamam de solidão, 
ausência de interesse das pessoas, 
 descaso e rejeição. 
A maioria não quer ser de ninguém, 
mas quer que alguém seja seu. 
 Não dá,
 infelizmente, 
para ficar somente com a cereja do bolo 
 - beijar de língua, 
namorar e não ser de ninguém.
 Para comer a cereja é preciso comer o bolo todo,
 e nele, 
 os ingredientes vão além do descompromisso como:
 não receber o famoso telefonema no dia seguinte,
 não saber se está namorando
 mesmo depois de sair um mês com a mesma pessoa, 
 não se importar se a outra estiver beijando outro,
 etc, etc, etc...
 Desconhece a delícia 
de assistir a um filme debaixo das cobertas num dia chuvoso 
comendo pipoca com chocolate quente, 
o prazer de dormir junto abraçado, 
 roçando os pés sob as cobertas e a troca de cumplicidade,
 carinho e amor. 
 Namorar é algo que vai muito além das cobranças.
 É cuidar do outro e ser cuidado por ela,
 é telefonar só para dizer bom dia, 
 ter uma boa companhia para ir ao cinema de mãos dadas,
 ter alguém para fazer e receber cafuné, 
 um colo para chorar, 
uma mão para enxugar lágrimas
 enfim, 
é ter ´alguém para amar´ ...
Somos livres para optarmos!
 E ser livre não é beijar na boca e não ser de ninguém.
 É ter coragem, 
ser autêntico e se permitir viver um sentimento."

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