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"É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer, porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo". Clarice Lispector

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novembro 15, 2012

João Ubaldo Ribeiro




E, quanto a ela, agora não tinha mais desculpa para não fazer o que achava que devia fazer, 
que, aliás, fizesse isso mesmo: 
o que achava que devia fazer. 
Era um presente em que ele tinha pensado muito antes de dar a ela 
e era um presente de grande amor. 
Não o dinheiro, 
que ele não tinha ninguém no mundo a não ser ela e,
 portanto, era sua obrigação cuidar dela direito, 
pois que ela tampouco tinha alguém por si no mundo. 
Mas, sim, a liberdade de ser e escolher, 
coisa para que, pelo menos da parte dele, 
ela acharia ajuda, 
embora fosse encontrar dificuldade de todas as outras partes,
 dificuldade mortal mesmo, 
dificuldade dura e sem misericórdia. 
Mas este conselho lhe dava: que não fosse boba, 
que não confiasse, não confidenciasse e não desistisse com facilidade; 
que não fosse mentirosa. mas também não imprudente: 
que não quisesse lutar sempre do mesmo jeito, 
mas que visse que para cada luta há um jeito próprio, 
dependendo sempre das circunstâncias; 
e que gostasse dele, 
porque ele gostava tanto dela que o coração lhe doía e,
 se não tinha sido melhor avô, 
fora porque não soubera, 
mas tudo o que sabia e procurara aprender tinha feito para ela. 
Ela gostava dele?

João Ubaldo Ribeiro

2 comentários:

  1. O amor por aqueles que Deus nos deu de presente é o amor verdadeiro.
    Minha avó que era um exemplo de amor desmedido que cuida e quer tão tbm.

    Beijos sua linda.

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    Respostas
    1. Demonia,

      Não conheci meus avós estavam do outro lado do oceano mas todas as vovós fofas q adotei e me adotaram era uma relação deliciosa.

      Bjk@s

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