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"É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer, porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo". Clarice Lispector

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julho 12, 2012

O Fantasma do Ex - Martha Medeiros


Generalizações nem sempre correspondem à verdade, mas me corrija se eu estiver errada: 
todo mundo tem um ex assombrando sua vida. 
Você não tem? 
Vai ter, é uma questão de tempo.
O ex (os rapazes, por gentileza, leiam "a ex") pode ser aquele primeiro amor que durou pouco, mas que foi intenso. Ou que durou muito, e deixou cicatrizes. Pode ser um amor platônico, que nem chegou a se realizar, e que por isso mesmo faz seu coração saltar pela boca cada vez que cruza com ele na rua, fazendo-a imaginar as cenas que nunca aconteceram.
Pode ser um ex-marido, uma ex-mulher. Só nós sabemos qual é o fantasma que nos atormenta. E se atormenta, é porque o relacionamento não teve um fim bem assimilado. Ex bem-resolvido não é ex: é amigo. Já o ex que assombra é vitalício.
É aquele que, quando foi embora, você sofreu o diabo. É aquele que, mesmo você tendo refeito sua vida amorosa, ainda impede que você rasgue cartas, fotos e coloque fora aquela rolha imunda do primeiro vinho que beberam juntos.
É aquele de quem você vive dizendo para as amigas que não sente o menor ciúme, que ele pode até namorar sua irmã que tudo bem, mas que no fundo deixa você com dor-de-barriga cada vez que fica com outra.
É aquele que, lá no seu íntimo, faz você sonhar em ser resgatada num cavalo branco e levada para a Terra do Nunca. Do nunca mais se separar, nunca mais brigar, nunca mais repetir os mesmos erros, nunca mais trair e, principalmente, nunca mais ter um ex, já que ele voltou para assumir seu posto. Só que isso é lenda. Tem que ser assim, desesperante?
Não. Um ex nada mais é do que uma boa lembrança, alguém que lhe tocou fundo numa época em que você ainda não tinha muita experiência e, portanto, não podia compará-lo com ninguém, caindo na cilada do endeusamento.
Hoje você já amou outras pessoas, já sabe que todos têm qualidades e defeitos, e o que resta é a vaga impressão que aquele primeiro amor foi maior que todos.
Esse fantasma não passa de uma nostalgia, de um romantismo, de uma saudade boa de um tempo que não volta mais. Mas que custa pra desencarnar, custa.

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